04/09/2026
Assistência hospitalar a potenciais doadores de órgãos é tema central de simpósio promovido pela OPO Metropolitana
Evento destacou a importância da atuação multidisciplinar na identificação e no cuidado de pacientes neurocríticos
A Organização de Procura de Órgãos (OPO) Metropolitana realizou, em 3 de setembro, na Faculdade de Medicina de Minas Gerais, o IV Simpósio das e-DOTs da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com o tema “O cuidado com o paciente neurocrítico: sincronia multidisciplinar”, o encontro promoveu a atualização de conhecimentos e a troca de experiências entre profissionais de diferentes áreas da saúde sobre a assistência ao paciente em estado neurológico grave e o processo de doação de órgãos e tecidos.
A iniciativa contribuiu para o aprimoramento das práticas de identificação, cuidado e abordagem dos potenciais doadores, além de fortalecer a atuação integrada das equipes nos hospitais. Realizado como parte das ações do Setembro Verde, campanha nacional de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, o simpósio também destacou o trabalho das equipes de Doação de Órgãos e Tecidos (e-DOTs), que atuam no apoio à identificação e ao acompanhamento de potenciais doadores e na condução das diferentes etapas da doação nas unidades hospitalares.
Cuidado desde a entrada hospitalar
De acordo com o diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado, que participou da mesa de abertura do encontro, Minas Gerais tem grande potencial para ampliar o número de doações. Para ele, a capacitação das equipes que atuam na assistência e a orientação adequada às famílias são fundamentais para fortalecer esse processo e podem fazer a diferença na vida de quem aguarda por um transplante.
“É muito importante mobilizar não só a população, mas também os hospitais, porque é dentro deles que estão os potenciais doadores. A equipe que está na assistência é uma peça fundamental para identificar esse potencial doador, conduzir adequadamente o protocolo e oferecer à família a possibilidade da doação”, ressaltou.
Nesse contexto, o médico intensivista do Hospital João XXIII, Frederico Bruzzi, destacou a importância de uma comunicação adequada com os familiares durante a assistência ao paciente neurocrítico, abordagem que exige preparo e, muitas vezes, treinamento dos profissionais. “Quando o paciente chega à emergência e o médico diz à família que o tratamento não tem mais jeito e que não vale a pena investir, há um rasgo de confiança. E reconstruir essa relação depois é particularmente difícil, especialmente quando, mais adiante, precisamos conversar sobre a possibilidade da doação de órgãos”, afirmou.
Omar Lopes também explicou a relação entre o cuidado ao paciente neurocrítico e o processo de doação.
“O doador é um paciente extremamente crítico. É preciso que ele esteja em um ambiente adequado, com uma equipe preparada, para que haja a suspeita, a investigação e o diagnóstico preciso da morte encefálica, sempre seguindo rigorosamente o protocolo estabelecido”, explicou.
A médica da OPO Metropolitana, Helen Camargos, completou destacando que o cuidado com o paciente crítico deve ser conduzido de forma integrada desde a sua entrada no hospital, e que é fundamental que as equipes estejam alinhadas e que cada profissional compreenda seu papel neste atendimento.
“O diagnóstico de morte encefálica é um direito da pessoa e precisa ser compreendido com clareza. Essa integração é fundamental para que a assistência aconteça de forma adequada e, quando necessário, para que a equipe consiga identificar e conduzir corretamente um potencial doador”, concluiu.
Sobre o evento
A programação do simpósio reuniu médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos que atuam no Hospital João XXIII e em outros serviços de urgência e emergência da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A partir de suas diferentes áreas de atuação, os profissionais compartilharam experiências e perspectivas sobre os desafios da assistência ao paciente neurocrítico no cotidiano hospitalar.
Entre os temas discutidos estiveram o atendimento ao paciente neurocrítico desde a porta de entrada hospitalar, a comunicação com familiares, os aspectos relacionados ao diagnóstico de morte encefálica e as particularidades da assistência ao potencial doador. O encontro também abordou os aspectos legais que envolvem o processo de doação de órgãos e tecidos, além do papel e das responsabilidades das e-DOTs nas unidades hospitalares.
Por Anni Sieglitz
Imagens: Anni Sieglitz

