01/04/2026

Minas antecipa resposta a pico de doenças respiratórias e amplia leitos para garantir atendimento a crianças

 Governo investe R$ 15 milhões para reforçar rede assistencial antes das próximas semanas críticas e ampliar vacinação
 
O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), antecipou medidas para enfrentar o aumento das doenças respiratórias e reforçar o atendimento, principalmente às crianças, nas próximas semanas.
 A estratégia, apresentada nesta quarta-feira (1/4), em Belo Horizonte, inclui ampliação de leitos, reforço de equipes e intensificação da vacinação em todo o estado, diante da previsão de aumento mais intenso dos casos nas próximas semanas.
 
“Nosso foco é garantir atendimento para quem mais precisa, especialmente os casos graves. O paciente que nos preocupa é aquele com falta de ar, que precisa de cuidado especializado. Para esses, a rede precisa estar pronta”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.
 
No Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), referência pediátrica em Belo Horizonte, serão sete novos leitos de UTI. anncio sazonalidade 2026 pedro chagas 2
 
“Esses leitos já entram em operação em poucas horas. Assim que sairmos daqui, eles já estarão disponíveis para regulação e internação”, explicou o secretário. 
 
Também serão abertos 19 leitos de enfermaria, dois consultórios para atendimento de urgência, oito leitos na Sala de Decisão Clínica e mais cinco pontos na sala de medicação.
 
A unidade também recebeu reforço na equipe, com a chegada de 150 novos profissionais, entre eles 34 médicos, 10 enfermeiros, 69 técnicos de enfermagem e 18 fisioterapeutas respiratórios.
 
O aumento da demanda ocorre tradicionalmente entre março e maio, período em que o hospital registra crescimento de até 47% nos atendimentos de pronto-socorro e 40% nas internações.
 
Interior mais preparado
 
O crescimento dos casos de doenças respiratórias já é observado em diversas regiões do estado, com destaque para o Norte e o Leste de Minas. A ampliação da rede hospitalar no interior tem contribuído para reduzir a pressão sobre Belo Horizonte.
 
“Hoje a capital não recebe mais aquela pressão de antes, porque o interior tem mais leitos de alta complexidade. Tivemos um crescimento robusto de CTI em todo o estado”, afirmou o secretário.
 
Ele citou avanços em regiões como Governador Valadares e Caratinga, além da previsão de abertura de novos leitos no Hospital Regional de Teófilo Otoni entre maio e junho.
 
“Todos vamos viver esse momento de maior pressão por doenças respiratórias, como acontece todo ano. Mas hoje temos uma estrutura muito mais preparada e não vamos passar por situações que já vimos no passado”, completou.
 
Vacinação ampliada e sem restrição
 
A vacinação segue como a principal estratégia para reduzir casos graves e internações. Minas já distribuiu cerca de 1,5 milhão de doses contra a gripe para todos os municípios.
 
O estado também prepara novas remessas e mantém a mobilização para ampliar a cobertura, incluindo o Dia D de vacinação, marcado para 11/4.
 
“Vacina boa não é na geladeira do posto, vacina boa é no braço. Não adianta correr atrás do prejuízo depois”, afirmou Baccheretti.
 
Além da influenza, o calendário inclui imunizantes importantes para prevenção de doenças respiratórias, como covid-19, pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
 
Neste ano, também foram incorporadas novas estratégias, como a vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório e o uso do anticorpo monoclonal nirsevimabe para crianças com maior risco.
 
Rede em alerta e pronta para resposta rápida
 
A Secretaria de Estado de Saúde ativou a Sala de Monitoramento dos vírus respiratórios, que acompanha em tempo real os dados de casos, internações e ocupação de leitos em todo o estado.
 
A estratégia permite decisões mais rápidas, como abertura de novos leitos e reorganização da rede.
 
Além do João Paulo II, outras unidades da rede Fhemig já operam com capacidade ampliada, como o Hospital Júlia Kubitschek e o Eduardo de Menezes, que podem abrir novos leitos de terapia intensiva conforme a necessidade.
 
Para sustentar a operação durante o período sazonal, o Governo de Minas investe R$ 15 milhões na ampliação da assistência desses hospitais, incluindo a Maternidade Odete Valadares.
 
“Esse recurso é para garantir equipe, insumos e medicamentos. Com mais leitos, temos mais consumo e precisamos manter a qualidade do atendimento”, explicou Baccheretti.
 
Até o momento, Minas Gerais registrou 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) hospitalizada, sendo 323 por covid-19, 250 por influenza e 120 por vírus sincicial respiratório.
 
 
Por Aline de Castro e Janaína de Oliveira (Fhemig) / SES-MG
Fotos: Pedro Chagas