29/01/2026

Complexo Hospitalar de Barbacena realiza primeira cirurgia com neuronavegação

Hospital da Fhemig incorporou tecnologia de ponta às neurocirurgias de alta complexidade, fortalecendo o SUS em Minas

O Complexo Hospitalar de Barbacena (CHB), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), acaba de dar um passo histórico na assistência à saúde. A unidade realizou a primeira cirurgia com o uso da neuronavegação, tecnologia que funciona como um GPS, permitindo localizar lesões com extrema precisão.

A neuronavegação utiliza exames de tomografia e ressonância magnética do paciente para mapear e orientar o médico em tempo real, indicando a posição exata da lesão, mesmo em regiões profundas ou próximas a áreas nobres do cérebro. De acordo com o coordenador do Serviço de Neurocirurgia do CHB, Carlos Eduardo Ferrarez, os principais benefícios incluem, além da maior precisão, menor agressão ao tecido cerebral saudável, mais segurança, redução de sequelas e recuperação mais rápida.

O primeiro procedimento, realizado no dia 24/1, foi uma biópsia de tumor cerebral e ocorreu utilizando a tecnologia em todas as etapas. O paciente evoluiu bem no pós-operatório imediato e segue estável. O procedimento contou com cerca de dez profissionais, entre neurocirurgiões, anestesiologistas, enfermeiros e técnicos.

No dia 26/1, a unidade realizou mais uma cirurgia de alta complexidade com neuronavegação, que durou mais de sete horas e utilizou outros recursos tecnológicos como a monitorização neurofisiológica (avaliação em tempo real da integridade do sistema nervoso) e aspiração ultrassônica (ondas de ultrassom de alta frequência para fragmentar e aspirar tecidos, como tumores, de forma precisa e controlada).

“A primeira cirurgia com neuronavegador representou um marco, viabilizado por uma atuação integrada da equipe multiprofissional, garantindo a segurança do paciente e um cuidado qualificado e humanizado”, disse a técnica de enfermagem Claudiane Coelho Alves, que participou do procedimento.

Avanço para o SUS da região

A neuronavegação pode ser usada em diferentes procedimentos, como biópsias, remoção de tumor, lesões profundas e cirurgias próximas a regiões importantes do cérebro. Segundo Ferrarez, o principal ganho é em segurança. “Quando o cirurgião sabe exatamente onde está e qual trajeto precisa fazer, o risco diminui para o paciente e para a equipe. Essa previsibilidade faz muita diferença”, afirma.

O uso da tecnologia coloca o CHB em um novo patamar assistencial. “É como se tivéssemos saído de um mapa de papel e passado para um GPS de última geração. Estamos entregando um recurso de ponta que, antes, as pessoas só encontravam em grandes centros particulares”, avalia Priscila de Castro Mesquita, coordenadora da Unidade Cirúrgica.

O coordenador da neurocirurgia destaca o impacto positivo. “A neuronavegação amplia a capacidade do serviço, permitindo procedimentos mais complexos, com maior qualidade assistencial, e reforça o compromisso da Fhemig com a modernização do SUS e com o atendimento de excelência à população”, destaca Ferrarez.

A tecnologia amplia ainda a resolutividade do hospital, reduzindo a necessidade de encaminhamentos e agilizando o tratamento. “Quando a gente tem esse recurso, não precisa mandar o paciente para outra cidade. Isso evita deslocamentos e torna o sistema regional mais eficiente”, acrescenta Priscila.

Preparação

A chegada da neuronavegação só foi possível após a reorganização dos fluxos do bloco cirúrgico, realizada em 2025, com apoio do Programa Lean. “Com a casa organizada e os protocolos ajustados, conseguimos adotar uma tecnologia altamente complexa”, explica Priscila.

Para a equipe que participou do primeiro procedimento, o momento foi marcante. “Ver tudo funcionando na prática trouxe uma motivação extra. Foi um sentimento de missão cumprida”, completa a coordenadora.


Por Fernanda Moreira Pinto
Fotos: Equipe do HRB-JA