27/01/2026
Especialista do Hospital João XXIII alerta para aumento de acidentes com animais peçonhentos no verão
CIATox-MG registra mais de 4 mil casos em 2025 - incluindo atendimentos por telefone
Com a chegada do verão, o Hospital João XXIII (HJXXIII) registra um crescimento significativo nos atendimentos relacionados a intoxicações causadas por animais peçonhentos. Esse aumento é resultado da combinação de vários fatores típicos desta época do ano, como chuvas intensas e altas temperaturas, que afetam os abrigos desses animais, levando-os a sair em busca de locais mais seguros. Alguns deles também têm maior atividade neste período. Além disso, o maior fluxo de pessoas em áreas verdes durante o período de férias contribui para a alta no número de ocorrências.
No último ano, a unidade registrou 4.239 casos de acidentes com peçonhentos (sem contar atendimentos relacionados a picadas de abelhas), sendo 2.028 causados por escorpiões, 1.015 por aranhas, 751 por serpentes e 445 por lagartas.
Segundo o coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox-MG), Adebal de Andrade Filho, em caso de acidente, as primeiras medidas de socorro são manter a vítima calma e lavar o local atingido com água e sabão. Ele alerta que não se deve fazer torniquete, furar, espremer ou sugar a região afetada, nem oferecer qualquer tipo de alimento ou bebida.
Na sequência, com segurança e mantendo distância, recomenda-se tentar fotografar o animal de diferentes ângulos: cabeça, cauda, dorso e região ventral, se possível. Estas fotos permitirão a identificação precisa pela equipe de saúde, possibilitando o tratamento correto e no menor tempo possível.
“Não se deve acuar nem tentar capturar o animal. Caso ele represente risco ou esteja em ambiente doméstico, deve-se avaliar a necessidade de acionar o Corpo de Bombeiros Militar, por exemplo, para captura. A orientação é nunca se expor a riscos, especialmente em situações envolvendo enxames de abelhas ou serpentes, que são ágeis e podem levar a acidente quando manipuladas ou perturbadas”, explica Adebal.
A vítima deve ser encaminhada rapidamente à unidade de saúde mais próxima do local do acidente. No atendimento, os profissionais poderão identificar se o animal é peçonhento ou não, iniciar o tratamento e, se necessário, encaminhar o paciente de forma ágil para uma unidade de maior complexidade.
Alerta
Apesar do aumento de ocorrências no verão, os acidentes com animais peçonhentosacontecemdurante o ano todo, como no caso do pequenoPedro- à época com apenas 10 meses de vida, filho da médica ginecologista e obstetra Jordana Maura.
Em agosto do ano passado, a criança foi picada por um escorpião, no município de Moema, e levada rapidamente ao hospital da cidade, que entrou em contato com a CIATox-MG e recebeu o soro antiescorpiônico. Em seguida, Pedro foi encaminhado para uma unidade em Bom Despacho, onde completou a soroterapia antiveneno.
Posteriormente, o menino foi transferido para o Hospital João XXIII. Jordana destaca o apoio recebido na unidade. “Meu filho teve um atendimento espetacular. As equipes da Pediatria, da Terapia Intensiva Pediátrica e da Toxicologia conduziram o caso. O Pedrinho recebeu um cuidado preciso e eficaz”, relata. “Hojeele está bem, graças a Deus”, comemora. 
Por Henrique Alves, estagiário sob supervisão de Michèlle Guirlanda
Fotos: Joice Lourenço
